A rotina de uma família atípica é marcada por uma intensa jornada de cuidados, consultas e terapias contínuas (como método ABA, fisioterapia e fonoaudiologia). Para pais e mães trabalhadores, conciliar a carga horária de um emprego presencial com a atenção exigida por um filho com deficiência ou necessidades especiais é um dos maiores desafios do cotidiano.
Em uma decisão histórica consolidada no Tribunal Superior do Trabalho (TST), a Justiça do Trabalho deu um passo gigante na proteção das famílias atípicas: o empregador não pode impor o retorno presencial a empregados cujos filhos dependam de acompanhamento de saúde contínuo, prevalecendo o direito fundamental à saúde e à proteção da família sobre o poder de gestão da empresa.
Para a Santos & Souza Advocacia, em Belém/PA, essa decisão reforça a humanização do Direito do Trabalho e traz amparo jurídico para quem mais precisa. Entenda como essa regra funciona e como proteger os seus direitos.
1. A Decisão do TST: A Proteção da Família Acima do Retorno Presencial
A controvérsia surgiu quando empresas, após o período de flexibilização do trabalho remoto, começaram a determinar o retorno 100% presencial de todos os seus colaboradores, ignorando situações familiares excepcionais.
O TST entendeu que o poder do empregador de definir o local de trabalho (jus variandi) não é absoluto. Ele encontra limites claros na Constituição Federal e no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), que garantem a dignidade da pessoa humana e a prioridade absoluta da criança e do adolescente com deficiência.
A decisão estabeleceu que impor o retorno ao trabalho presencial quando isso inviabiliza o tratamento de saúde de um dependente vulnerável configura violação aos deveres de função social da empresa e de proteção à família.
2. Quem tem direito a permanecer no Teletrabalho ou Home Office?
Embora a CLT não preveja expressamente uma licença automática, a jurisprudência do TST pacificou que têm direito à manutenção do teletrabalho (ou à flexibilização de jornada) os trabalhadores que preencherem os seguintes requisitos:
- Dependência Comprovada: Filhos, crianças ou dependentes legais com deficiência (como Transtorno do Espectro Autista – TEA, hipotonia muscular, paralisia cerebral, síndromes raras, entre outras).
- Incompatibilidade da Rotina Presencial: Demonstração de que o retorno presencial do trabalhador prejudicaria gravemente a frequência do dependente às terapias ou a aplicação dos cuidados diários essenciais.
- Viabilidade do Teletrabalho: O trabalho executado pelo funcionário ser compatível com o formato remoto (como funções administrativas, operacionais digitais, atendimento ao cliente, tecnologia, etc.).
3. A Aplicação no Setor Privado e na Administração Pública
Historicamente, a redução de jornada para cuidar de dependente com deficiência (sem redução de salário) já era um direito previsto para servidores públicos federais (Art. 98 da Lei 8.112/90).
A grande novidade da recente decisão do TST é a consolidação desse entendimento para os trabalhadores da iniciativa privada (regidos pela CLT). O Tribunal aplicou a analogia e os princípios constitucionais para garantir que o trabalhador celetista não seja discriminado ou punido por exercer o papel de cuidador familiar.
4. O que fazer se a empresa exigir o retorno presencial?
Se a sua empresa determinou o retorno presencial e a sua ausência em casa colocará em risco o tratamento do seu filho com deficiência, siga estes passos:
- Comunique a Empresa por Escrito: Envie um requerimento formal ao setor de Recursos Humanos (RH) explicando a situação familiar, anexando os laudos médicos, o relatório dos terapeutas com a grade de horários do seu filho e solicitando a permanência no teletrabalho.
- Não Peça Demissão: Se a empresa recusar o pedido ou ameaçar com justa causa por falta, não peça demissão impulsivamente. A recusa intransigente da empresa pode configurar falta grave do empregador, dando direito à Rescisão Indireta ou à obtenção de uma ordem judicial para permanecer em home office.
- Busque Orientação Jurídica Especializada: Um advogado trabalhista analisará a documentação para ingressar com uma ação com pedido de liminar na Justiça do Trabalho, garantindo a sua permanência no teletrabalho antes mesmo da decisão final do processo.
A saúde e o bem-estar do seu filho não podem ser sacrificados. Se você enfrenta pressões da empresa para retornar ao trabalho presencial e isso prejudica o acompanhamento do seu filho com deficiência ou TEA, busque os seus direitos. A equipe de Direito Trabalhista da Santos & Souza Advocacia, em Belém/PA, está pronta para defender a sua família e garantir a sua permanência no teletrabalho de forma ágil e segura.
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